sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

RAÍZES RELIGIOSAS NO BRASIL

Como você já sabe, as três principais raízes religiosas no Brasil são a indígena, a cristã (na sua expressão católica) e a africana. Nas três, cada uma a seu modo, há rituais relacionados a parentes mortos. Nossas raízes mais antigas estão entre os indígenas, os primeiros habitantes da terra hoje chamada Brasil. Entre todos os grupos indígenas, a morte é cercada de rituais que visam garantir que o morto faça uma boa viagem para o além. Tomemos como exemplo os Tupinambá. Segundo sua crença, o ser humano tinha duas partes: o corpo e a alma. Quando a alma se separava do corpo, iniciava sua jornada em busca do “guajupiá”, o paraíso. Mas isso não significava que se acabavam as necessidades dessa alma. (...) Em virtude disso, os sobreviventes contraiam uma série de obrigações para com os mortos. (...) ofertas alimentares acompanhavam o morto, assim como seus objetos e armas (rede, arco, flecha, plumas, faca, machado, etc), para que pudesse realizar sua viagem com segurança. Então iniciava-se a etapa mais ambicionada por um Tupinambá: a viagem para o guajupiá. O espírito alçava voo para além das montanhas, onde se encontraria com seus antepassados. (Rosane Volpatto. “O Culto dos antepassados Tupinambá”. http://www.caradobrasil.com.br) Os Católicos rezam pelas almas e celebram missas por elas, esperando livrá-las quanto antes do purgatório. É que, segundo a doutrina católica, quando alguém morre, passa por um período de purificação. Não se trata de um lugar, mas de um estado. Nesse período, a alma ainda está sofrendo por suas impurezas – quanto mais orações e missas lhe forem dedicadas, mas depressa poderá se livrar desse sofrimento e ser feliz em Deus. Quase metade da população brasileira tem ascendência africana – e os negros trouxeram para cá sua religião e seus costumes. Aqui, muitas vezes não tiveram liberdade para praticar suas crenças, mas sua cultura ainda permanece entre nós. Na tradição africana dos iorubas, uma das mais fortes no Brasil, os eguns – também chamados egunguns, babá-eguns ou simplesmente babás – são os espíritos dos antepassados, invocados nos rituais dos terreiros. São espíritos especiais que se materializam para dar conselhos e bênçãos. O culto aos eguns é feitos em terreiros específicos para esse fim; outros terreiros são dedicados ao culto dos orixás, deuses ligados às forças da natureza. Cada religião tem uma prática diferente com relação aos mortos. Os católicos oferecem orações e o sacrifício da missa pelas almas dos que já se foram. Os orientais fazem oferendas de frutas, às vezes outros alimentos e flores. Os afro-brasileiros evocam os antepassados para pedir conselhos. Os indígenas oferecem objetos que pertenceram ao morto, água e comida para que ele faça uma boa travessia desta para a outra vida. Os espíritas oram pelos espíritos e os evocam para falar com eles: se estiverem sofrendo, para ajuda-los; se estiverem bem e felizes, para pedir ajuda. No entanto, existe um grupo religioso muito numeroso e influente que não aceita nenhum tipo de oração pelos mortos: os evangélicos. A justificativa para isso tem razões históricas e muito profundas. Veremos isso na próxima aula.

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