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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
DEUS ACIMA DE TUDO
Você já pensou em Deus? De que maneira? Já fez alguma coisa pensando que estava agindo por amor a Deus? Nas diferentes religiões, a maioria das pessoas adora a Deus, não importa que nome lhe dê. Muitas delas procuram praticar ações que expressem de alguma forma esse amor à divindade.
Essas pessoas de vários credos – entre elas as cristãs, as judias e as muçulmanas – acreditam que tudo nasce e morre, tem um começo e fim: planetas, estrelas, plantas e animais algum dia começaram a existir e um dia não mais existirão. O ser humano também nasce e morre, apesar de o espírito continuar vivo para sempre. Só existe um ser que nunca teve começo e nunca vai morrer: Deus.
Para essas religiões, Deus também é a máxima medida do bem. Por isso, dele derivam todos os valores: as virtudes que o ser humano precisa cultivar para ser feliz. Em nossas aulas, vamos estudar sobre esses valores e refletir sobre a melhor maneira de praticá-los.
QUEM É DEUS?
Deus criou todas as coisas, mas ninguém o criou. Deus é eterno, sempre existiu e sempre existirá. Ainda que todas as estrelas se apaguem e todos os planetas sejam extintos, Ele criará outros.
Mas, como sabemos que Deus existe, se não podemos vê-lo com os olhos nem ouvi-lo com os ouvidos?
Embora algumas pessoas não acreditem na existência de Deus, as que acreditam sabem que Ele existe porque o Universo é tão belo, tão perfeito, tão harmonioso, que só pode ter sido criado por um ser muito inteligente, bom, poderoso e perfeito.
E de onde vem essa certeza de que Deus existe? Vem do fato de que pessoas muito especiais já o sentiram e ouviram – não com os ouvidos, mas com a alma.
Todos nós podemos saber que Ele existe porque também podemos senti-lo dentro de nosso coração. E, quando o sentimos, uma grande alegria e emoção tomam conta de nós.
COMO ENTENDER DEUS?
Falar em Deus pode até parecer impossível: sabemos que Ele existe... Deus é invisível... Ele é espírito. Ele é onisciente, isto é, conhece e sabe todas as coisas. Ele é Onipresente, ou seja, está em todos os lugares ao mesmo tempo. Ele é Onipotente, isto é, Todo-Poderoso. Deus é bom, justo e misericordioso.
Porém, surge a questão: se Ele é tão bom e poderoso, por que existe o mal?
Não parece, mas trata-se de uma pergunta fácil de responder. Deus criou o ser humano, mas Ele não o fez escravo de sua vontade. Em vez disso, deu-lhe um grande presente: a liberdade. Podemos escolher o caminho do bem ou o caminho do mal. Depende de nós. Se escolhermos o caminho do bem, seremos felizes; se optarmos pelo caminho do mal, sentiremos arrependimento, tristeza e sofrimento.
Você poderia perguntar: se o bem traz felicidade e o mal sofrimento, por que Deus não nos avisa de que devemos seguir o bem? A resposta das religiões é: Ele tem avisado!
De que maneira? Ele sempre mandou ao mundo pessoas que vieram ensinar e fazer o bem: profetas, santos homens e mulheres que, com sua vida, foram exemplo de bondade e amor.
Ele fez mais: colocou um aviso bem forte dentro de nós, a voz da nossa consciência. Quando vamos fazer alguma coisa ruim, uma voz lá dentro nos diz: “não faça isso!” O problema é que nem sempre escutamos esse aviso inteligente.
Poderíamos ainda falar muito mais sobre Deus. Difícil mesmo é entender Deus. Afinal, se somos imperfeitos, como podemos entender um ser perfeito? Somos pequenos, como podemos entender o poder absoluto? Se seguimos o tempo do relógio, como podemos entender Alguém que vive fora do tempo, que é eterno?
O que melhor podemos fazer em relação a Deus é amá-lo, porque Ele nos ama. Se Ele nos criou, nos deu de presente a vida, a inteligência e o sentimento, se criou também a natureza e o Universo, então seu amor por nós é infinito – e o nosso amor por Ele precisa ser imenso. Quanto mais amarmos a Deus, melhor poderemos entendê-lo.
COMO SE AMA A DEUS?
A maioria das religiões ensina que, para amar a Deus, é preciso praticar seus mandamentos, sua lei. Ele criou as pessoas para serem felizes, mas só seremos felizes se cumprimos a Lei de Amor que Ele quer que cumpramos.
Muitos místicos do Oriente e do Ocidente buscaram unir-se a Deus por meio da oração, da prática do bem e do desprendimento em relação aos bens terrenos. Isso significa dar mais importância às coisas do espírito, mas não significa necessariamente sair do mundo e viver sem contato com a vida do dia a dia. Estar no mundo, mas com o pensamento em Deus; fazer as coisas no mundo, mas por amor a Deus: eis o segredo da união com Ele.
O AMOR A DEUS NAS TRADIÇÕES RELIGIOSAS
O AMOR A DEUS NO JUDAISMO
Na tradição judaico-cristã, o primeiro mandamento é o amor a Deus. No Antigo Testamento, ele aparece como a principal obrigação do ser humano; depois, no Evangelho, Jesus retoma essa ideia dizendo que, juntamente com o amor ao próximo, esse princípio resume toda a lei. Assim está na Bíblia.
4 “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. 5 Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder. 6 E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; (...) 17 Diligentemente guardareis os mandamentos do Senhor, vosso Deus, como também os seus testemunhos e seus estatutos, que te tem mandado. 18 E farás o que é reto e bom aos olhos do Senhor, para que bem te suceda, e entres, e possuas a boa terra, sobre a qual o Senhor jurou a teus pais.”
(Deuteronômio 6.4-6, 17-18; - Trad. João Ferreira de Almeida – Edição Revista e Corrigida – Geográfica Editora, São Paulo – 2012)
Como você pode perceber no texto, a Bíblia afirma que Deus é único e que devemos amá-lo o máximo possível. Além disso, ele associa três ideias muito importantes: o amor a Deus, a prática do bem e a felicidade. Está claro que uma coisa depende da outra, tanto para judeus quanto para cristãos.
O AMOR A DEUS E A CARIDADE NO ISLAMISMO
Na tradição Islâmica, o amor a Deus também é fortemente recomendado. No Alcorão, o livro sagrado, há vários trechos que falam disso e estabelecem, como na Bíblia, a relação entre agir bem e adorar ao Senhor.
“O homem bom é aquele que crê em Deus,
no último dia, nos anjos,
no Livro e nos profetas.
Aquele que, por amor a Deus, dá de seus bens
Ao próximo, aos órfãos, aos pobres,
Aos viajantes, aos mendigos
E para resgate dos cativos.”
(Alcorão 2,177. Le Coran. Paris: Gallimard, 1967. Traduzido para fins didáticos)
Os muçulmanos, assim como os cristãos, acreditam no julgamento final, aquele dia em que as pessoas serão julgadas pelo bem e pelo mal que fizeram. Também creem nos anjos e nos profetas. Esses profetas são Maomé (fundador do islamismo), os profetas de Israel (das narrações bíblicas) e Jesus (por eles considerado um grande enviado de Deus).
O bem a se praticar, na visão do islamismo, é a caridade para com os que precisam. O “resgate dos cativos”, que aparece no texto do Alcorão é uma referência às guerras antigas, quando os perdedores eram aprisionados e era preciso pagar o resgate por sua libertação. De acordo com os muçulmanos, isso também era uma forma de fazer o bem.
DEUS ESTÁ EM TUDO NA TRADIÇÃO HINDUISTA
Na tradição hindu, Deus é entendido como uma presença que está em toda a parte. Ele está em todos os seres da criação, e, quando amamos esses seres – sejam homens, mulheres, animais, plantas -, estamos amando também a Deus, que é a causa de tudo e está presente em tudo. No livro Bhagavad Gita, assim está escrito, quando Deus fala com o discípulo Arjuna:
Em verdade te digo que aquele que me vê em tudo e em todo o Universo em mim nunca me abandonará e nunca será por mim abandonado. Para sempre estará ligado a mim, pelos laços preciosos do amor.
Quem me reconhece em todos os seres, ama-me e comigo se une, participa da vida eterna do meu ser, aquele que seja o seu modo de vida exterior neste mundo.
(Bhagavad Gita, 6,30-1. São Paulo: Pensamento, 1993)
O texto se identifica com o de outras tradições religiosas. Muitas pessoas – independentemente da religião que praticam – buscam unir-se a Deus e participar da vida divina, sentindo-se sempre amparadas por Ele e nunca sozinhas, pois a presença de Deus na alma preenche qualquer vazio e satisfaz o coração.
O AMOR DE DEUS NO CRISTIANISMO
Certa vez, Jesus contou a seguinte história:
Havia um pai que tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse: “Filho, vai trabalhar no meu campo”. E o filho respondeu: “Não, não vou não”. Mas, afinal, ele foi. O pai, então, disse ao segundo a mesma coisa: “Filho, vai trabalhar no meu campo”. O segundo filho respondeu: “Si, pai, eu irei”. Mas, não foi. Qual dos dois filhos fez a vontade do pai? (...)
(Mateus 21.28-31 – Adaptado para fins didáticos.)
DEUS NA TEORIA DA FILOSOFIA
O ser humano sempre acreditou em algum tipo de inteligência superior à dele. Para muitas religiões, essa inteligência tem o nome de “Deus”. Mas Deus não é apenas um tema da religião. Ela tem sido objeto de interesse dos filósofos desde a época de Pitágoras (Século VI a.C.), na Grécia.
Porém, para a filosofia, não se trata apenas de acreditar em Deus, mas de mostrar argumentos a favor ou contra a sua existência. Para a religião, é uma questão de fé; para a filosofia, uma questão da razão. A filosofia procura explicar a origem de tudo e, para muitos filósofos, essa origem está em Deus.
Vamos estudar, a partir de agora, como diversos filósofos têm tentado responder a algumas perguntas a respeito de Deus:
QUEM É DEUS?
Segundo Platão (429-347 a. C.), filósofo grego, discípulo de Sócrates, Deus é o ser supremo. Aristóteles (384-322 a. C.), também filósofo grego e discípulo de Platão, dizia que Deus é “o primeiro motor do Universo”: aquele que pôs todo o Universo a funcionar.
Para os filósofos judeus, cristãos e muçulmanos, Ele é um ser criador, pai de todas as coisas.
Entre as ideias filosóficas relacionadas a Deus, estão a de que Ele não tem corpo, é eterno, não teve começo e nem terá fim. Ele está em todas as coisas, mas não é todas as coisas, pois está além de tudo.
PODE-SE PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS?
Vários filósofos tentaram prova-la; alguns, dizendo que a natureza é tão perfeita, o Universo, tão belo e tão bem organizado, que tem de haver por trás de tudo isso uma inteligência muito poderosa.
O filósofo francês René Descartes (1596-1650) usou um argumento interessante: o ser humano é imperfeito e finito, mas a humanidade sempre teve a ideia de perfeição e infinitude na cabeça. De onde vem isso? Segundo ele, vem da ideia que Deus incutiu em nós.
Outro filósofo francês, Henri Bergson (1859-1941), usou ainda mais um argumento: a demonstração de que Deus existe é o fato de que, na humanidade, sempre houve pessoas especiais, santas, heroicas, que sentiram e revelaram Sua presença, como é o caso dos líderes religiosos e dos profetas.
Já o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) considerava que a presença de Deus não poderia ser provada, que era apenas uma questão de fé.
SE DEUS É BOM, ENTÃO, POR QUE EXISTE O MAL?
A maioria dos que afiram a existência de Deus também pensa que Ele é bom. Platão, por exemplo, dizia que Ele é o Bem, a beleza e a verdade.
Santo Agostinho (354-430), filósofo cristão, dizia que Deus é o Bem supremo. Tudo o que Ele criou é bom. O mal vem do homem, quando deixa de fazer o bem que Deus quer. Mas, segundo Santo Agostinho, o mal não tem vida própria, é só a ausência do bem. Já o bem é eterno, porque é Deus.
Até mesmo filósofos que não acreditaram na existência de Deus não conseguiram evitar a reflexão sobre Ele. O francês Jean-Paul Sartre (1905-1980), um dos maiores filósofos do século XX, embora não acreditasse em Deus, afirmava que permaneceu nele a ideia de Deus. Ele não se sentia como um grão de poeira surgido no mundo, mas um ser criado.
Outro filósofo francês, Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), Disse que a ideia de Deus está dentro do ser humano. O filósofo alemão Edmudd Husserl (1859-1938) expressou de forma bela esse sentimento de Deus, dizendo:
(...) como fonte de todo o ser, como princípio de desenvolvimento do mundo, como força que dá origem ao mundo, como criador do mundo, como princípio das leis do mundo (...). Através do meu coração, através do pulsar da minha vida, corre a vida divina. Amor de Deus e amor do mundo.
(Edmud Husserl. Citado em: Giorgio Penzo; Rosino Gibellini. Deus na filosofia do século XX. São Paulo: Edições Loyola, 1998).
A VISÃO CIENTÍFICA A RESPEITO DE DEUS
Algumas pessoas acham que ciência e religião nada tem a ver uma com a outra, mas não é verdade: muitos cientistas foram religiosos e a própria ciência nasceu de uma visão religiosa de mundo.
E mais: muitos cientistas ficam tão maravilhados diante do Universo que aceitam a existência de Deus e até acabam por reverenciá-lo.
Segundo Albert Einstein (1879-1955), físico alemão e um dos maiores cientistas de todos os tempos, o verdadeiro espírito científico não existe sem religiosidade.
Para ele, uma espécie de “religiosidade cósmica”, que vê Deus no cosmos, isto é, no Universo, faz com que os cientistas sintam-se maravilhados diante das maravilhosas leis da natureza.
Tais leis revelam uma inteligência tão superior a todo pensamento humano que os cientistas não podem compreender senão uma parte insignificante delas. Para Einstein, esse sentimento religioso nos cientistas é o mesmo que existe nos religiosos.
Ele mesmo dizia que o inglês Isaac Newton (1642-1727) e o alemão Johannes Kepler (1571-1638), que fizeram descobertas fundamentais sobre as leis da natureza, viveram uma profunda religiosidade que fez com que quisessem descobrir nem que fosse uma pequena parcela da poderosa inteligência de Deus no Universo.
Esses e outros cientistas não acreditam que seja impossível harmonizar religião e ciência; pelo contrário, elas podem ajudar uma à outra. Eles entendem que a religião fica mais enobrecida, mais valiosa e mais profunda graças ao conhecimento científico. E a ciência pode se tornar mais ética com a ajuda dos valores religiosos.
DEUS É BRASILEIRO?
Deus, é claro, não tem nacionalidade. O jornalista Gilberto Dimenstein discorda da ideia de que o Todo-Poderoso seja nacional, mas reconhece que, em certos aspectos, podemos considerar o Brasil um país abençoado. Observe o que Ele diz:
Privilegiados com tantas riquezas naturais, crescemos ouvindo que Deus era brasileiro. Mas são tantas e tão profundas nossas mazelas e chagas, incompatíveis com o nível de desenvolvimento econômico, que dificilmente deveríamos considerar a brasilidade divina – somos, afinal, uma nação de desprotegidos.
Quando assistimos ao tumulto Geraldo por Bin Laden, a ponta mais visível e doentia dessa mescla explosiva de radicalismo político e fanatismo religioso, vemos, porém, que, sob certo aspecto, o Brasil é abençoado.
Somos vítimas cotidianas da estupidez da miséria, mas, por enquanto, estamos livres da estupidez dos conflitos regionais, religiosos e raciais, ingredientes que estão por trás do temor de que os ataques ao Afeganistão detonem nova onda de atentados terroristas e agucem crises internas em países árabes.
Não temos conflitos de fronteiras com um único país. Sabendo quanto custa e quanta energia demandam conflitos desse gênero – basta ver os bilhões gastos por nações pobres como Índia ou Paquistão, por exemplo -, podemos dizer que, apesar de tudo, somos abençoados.
(Gilberto Dimenstein. “Deus não é brasileiro, mas somos abençoados”. Extraído de: Folha online, 09/10/2001. http//www1.uol.com.br)
DEZ MANEIRAS DE SER BOM
Pessoas de todas as religiões e de todos os povos sempre tiveram seu código moral, um conjunto de leis ou mandamentos ditados por Deus ou por seres espirituais. Muitos desses códigos, ensinados pelas religiões, até hoje influenciam os princípios de convívio adotados nas sociedades humanas.
Segundo a tradição judaico-cristã, Deus ensinou o ser humano por meio de seus mandamentos, transmitidos a Moisés. Você sabe que mandamentos são esses? Já agiu sabendo que cumpria ou descumpria algum mandamento?
OS DEZ MANDAMENTOS
Foi no alto do Monte Sinai que Moisés, depois de libertar o povo hebreu da escravidão no Egito, recebeu as Leis de Deus em forma de mandamentos.
1º → Eu sou o Senhor teu Deus, não terás outros deuses, além de mim;
2º → Não farás para ti esculturas, nem figura alguma do que estás em cima nos céus, ou embaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra; não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto;
3º → Não pronunciarás em vão o nome do Senhor teu Deus;
4º → Lembrar-te de santificar o dia do descanso; trabalharás durante seis dias e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia – que é um repouso em honra do Senhor teu Deus – não farás trabalho algum;
5º → Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolongue sobre a terra;
6º → Não matarás;
7º → Não cometerás adultério;
8º → Não furtarás;
9º → Não levantarás falso testemunho contra teu próximo;
10º → Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem nada do que lhe pertence.
(Êxodo 20,2-17 – Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Edições Paulinas, 1981. Adaptado para fins didáticos)
ENTENDENDO OS MANDAMENTOS
1º. Eu sou o Senhor teu Deus, não terás outros deuses, além de mim
Deus é único: o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis. Ele é o autor da vida, é eterno, é todo-poderoso, é todo sabedoria, é o legislador, é o amoroso benfeitor da humanidade. O primeiro mandamento revela a superioridade de Deus: devemos nos empenhar em conhece-lo e servi-lo em tudo o que fazemos e pensamos.
Hoje, esse mandamento anda um pouco esquecido, pois as pessoas estão mais preocupadas com dinheiro, poder, honrarias e prazeres do que com o amor a Deus. Temos conhecimento e informação sobre praticamente tudo, mas nos esquecemos da missão que Deus nos deu nessa vida: a de nos tornarmos bons e felizes.
2º. Não farás para ti esculturas, nem figura alguma do que estás em cima nos céus, ou embaixo sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra; não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto
Nos tempos bíblicos, muitos povos eram idólatras, isto é, cultuavam elementos da natureza, imagens de deuses e animais. Para eles, a imagem não era uma simples representação: o deus estava presente na própria imagem. Daí, esse segundo mandamento, que proíbe a criação de ídolos, tanto físicos quanto imaginários. Não é permitido servi-los, reverenciá-los nem fazer-lhes homenagem alguma.
Em nossos dias ainda há idolatria, só que de outra forma. Quando alguém passa a dedicar todos os seus pensamentos e ações, com fanatismo e desequilíbrio, seja a um objeto, ao dinheiro, aos prazeres, seja a outra pessoa, tudo isso assume o lugar de um ídolo.
3º. Não pronunciarás em vão o nome do Senhor teu Deus
Esse mandamento ensina que não devemos usar inutilmente o nome de Deus. Sobretudo, ensina a não a não usar seu nome para justificar a violência, a discórdia e a perseguição.
Muitas pessoas cometeram atos terríveis em nome de Deus, submetendo seus semelhantes a grande sofrimentos e torturas. Várias outras pessoas incentivaram a discórdia por entender Deus a sua maneira e não respeitar a maneira do outro. As pessoas que assim agem não entendem a verdadeira vontade de Deus.
4º. Lembrar-te de santificar o dia do descanso; trabalharás durante seis dias e farás toda a tua obra. Mas no sétimo dia – que é um repouso em honra do Senhor teu Deus – não farás trabalho algum
Deus recomenda que, durante seis dias, trabalhemos e nos ocupemos das tarefas necessárias à vida, mas que descansemos e dediquemos a Ele o sétimo dia, que, na Bíblia, é apontado como o sábado. Trata-se de um mandamento muito importante, pois abriu espaço para a criação do descanso semanal, necessário para que o corpo e a alma se refaçam e para promover a convivência com a família, os amigos e as atividades religiosas.
Lazer saudável, liberdade para não trabalhar, convivência social e práticas de atos de devoção a Deus – como orar, ir a um culto religioso, fazer um exame de consciência – fazem parte desse dia de descanso, fundamental para todo ser humano.
5º. Honra teu pai e tua mãe, para que teus dias se prolongue sobre a terra
Deus ensina que devemos respeitar e amar nossos pais. Devemos ajuda-los nas dificuldades, preocupar-nos com eles quando estão necessitados – principalmente na doença e na velhice – e orar sempre por eles.
Mas como um filho honrará seus pais se muitas vezes estes, com suas ações, o fazem passar por horas amargas e dolorosas? Pode um filho honrar pai e mãe que se entregam a vícios terríveis ou cometem agressões violentas?
Deus não exige que se honre quem não mereça ser honrado. Por isso, esse mandamento não se dirige em primeiro lugar às crianças ou aos filhos, mas aos pais, exigindo destes que honrem a maternidade e a paternidade para, assim, serem honrados por seus filhos!
6º. Não matarás
Esse mandamento nos ordena o respeito a nossa vida e a de nossos semelhantes como o maior e mais precioso bem recebido de Deus, pois Ele é o doador da vida. Assim, o suicídio também é considerado uma falta grave diante da Lei de Deus.
Existem formas de assassinato que às vezes não são evidentes aos nossos olhos: incentivar alguém a cometer um crime; sujeitar as pessoas a esforços pesados e castigos cruéis, abreviando-lhe a vida. Qualquer pessoa que prejudique a própria saúde ou a do próximo – viciando-se ou ajudando alguém a contrair um vício – deixa de respeitar esse mandamento.
7º → Não cometerás adultério
Esse mandamento ordena que marido e mulher mantenham fidelidade mútua no casamento. Mas também ensina que todos devem respeitar a paz de um matrimônio. O adultério é qualquer tentativa de separar duas pessoas que se amam com toda a sinceridade da alma e assumiram o compromisso de formar um lar.
8º. Não furtarás
Aqui Deus condena a apropriação daquilo que pertence ao outro. O roubo pode ter muitas formas: o roubo propriamente dito, a apropriação de um bem por meio de fraude, o recebimento de pagamento por aquilo que não fizemos, a cobrança de preços altíssimos aos necessitados, etc.
São também propriedades de um ser humano seu caráter, sua moral, seus pensamentos, o valor que tem na sociedade e ainda a confiança que as pessoas depositam nele. Devemos agir com muito cuidado para não desvalorizar nem humilhar as pessoas, pois quando fazemos isso estamos roubando seu valor perante os outros.
9º. Não levantarás falso testemunho contra teu próximo
Deus nos ensina que não devemos mentir contra ninguém. São exemplos dessas situações: falso testemunho num julgamento, denúncia que não seja verdadeira, calúnia, etc.
Fazer fofocas, falar mal do outro, contando coisas que nem sabemos ao certo se aconteceram, são outras formas de desrespeitar esse mandamento.
10º. Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem nada do que lhe pertence
A inveja está presente no mundo de diferentes formas; domina os pensamentos e os atos das pessoas. Ela está tanto no ser humano considerado individualmente quanto nas diferentes culturas, levando a guerras e lutas de todos os tipos.
Deus nos ensina que não devemos ser invejosos nem ficar de “olho grande” naquilo que não nos pertence. A inveja faz mal porque envenena quem a sente. A pessoa nunca está satisfeita porque sempre quer o que o outro tem.
Devemos conduzir nossa alma de modo a buscar incessantemente a bondade de coração, pois, como disse Jesus: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” – (Mateus 5.8). A harmonia entre os povos depende de cada um de nós!
A REALIDADE BRASILEIRA E A REFORMA AGRÁRIA
Vários pensadores discutiram e questionaram o mandamento que diz: “não furtarás”, recebido por Moisés. Na visão de alguns deles, para que esse mandamento seja realmente cumprido, não deve haver no mundo um só necessitado e injustiçado.
De acordo com o filósofo suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), a propriedade privada, isto é, particular, foi criada pelo primeiro ser humano que teve a ideia de cercar uma parte da terra e dizer “isto é meu”.. e encontrou pessoas ingênuas o bastante para acreditar nisso. Se alguém tivesse arrancado as cercas e gritado: “Não, impostor!”, teria livrado a humanidade de inúmeras injustiças, crimes, guerras, assassinatos, desgraças e horrores.
Alguns pensadores afirmam que a propriedade é um roubo. Segundo eles, o fim da propriedade privada traria o fim das desigualdades sociais e o nascimento de uma nova forma de sociedade, na qual a igualdade (social e econômica), a liberdade e a solidariedade seriam uma realidade humana. Já houve sociedades assim.
As comunidades indígenas brasileiras, por exemplo, desconhecem a propriedade particular. Os primeiros cristãos também pensavam dessa maneira e formaram a primeira comunidade cristã com base na propriedade coletiva.
Este poema nos traz alguma reflexões sobre o tema:
QUEM É QUE ROUBA QUEM
Deus nos mandou não roubar,
Roubar o quê? E de quem?
Roubar é subtrair
Alguma coisa de alguém
Em geral, todos condenam
O ladrão de mão armada...
Mas quem roubou o ladrão,
Que não tem direito a nada?
Querem a pena de morte
(E Deus mandou não matar!)
Para quem caiu no crime
E vive só de furtar.
Mas e quem tem ouro imenso
Feito de trabalho escravo
E não ajuda o empregado
Nem com sorriso ou centavo?
Pecado é roubar um tênis?
E quem tem terras a arar
Não produz e priva o pobre
Do direito de plantar?
A criança que vagueia
Na rua, pedindo esmola,
É bandida! E o ladrão
Que não a fez ir a escola?
As prisões estão lotadas
De criminosos, ladrões,
De tantos, foi a injustiça
Que esfriou os corações!
Disse Deus: não furtarás!
E ainda ouvimos sua voz!
Mas não disse só a uns poucos,
Dirigiu-se a todos nós!
Só quando todos no mundo
Tiverem justiça em vida,
Veremos a Lei de Deus
Inteiramente cumprida!
(Poema de Dora Incontri)
DE OLHO NO BRASIL
Roubar é subtrair, tirar algo de alguém. Mas é também privar alguém de alguma coisa da qual necessita, impedindo seu acesso a ela.
No Brasil ainda estamos muito longe de cumprir o mandamento segundo o qual não devemos roubar. Aqui privamos nosso povo de suas necessidades básicas! Roubamos riquezas! Roubamos informações! Roubamos cultura! Roubamos solidariedade! Roubamos educação! Roubamos terras! Assim, acabamos roubando a vida de milhares de pessoas.
O Brasil é um país com muitos analfabetos porque inúmeras crianças brasileiras são impedidas de ir à escola. O bem mais importante para um povo é a sua cultura, mas quantas pessoas no Brasil não tem acesso a cultura que forma um cidadão? E quantas pessoas não têm terra para poder viver e tirar seu sustento? E quantas pessoas estão morrendo de fome?
Entre tantas situações injustas em nosso país, uma é especialmente grave: embora o território brasileiro seja tão vasto e os recursos naturais sejam tão abundantes, milhões de pessoas passam fome. Enquanto poucos proprietários possuem a maior parte das terras produtivas, outra parcela imensa de proprietários tem acesso apenas a uma pequena parte dessas terras. Não é contraditório?
A terra na mão de poucos resulta em baixo aproveitamento da nossa capacidade de produzir e alimentar o povo. Temos terras suficientes para produzir alimentos para todos, mas infelizmente hoje elas estão alimentando alguns poucos...
Um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) de 2010, sobre as causas da fome em nosso país, indica que uma das soluções é a redistribuição de terras, por meio de uma reforma agrária. Segundo o MST – (Movimento dos Sem Terras), há quatro milhões de famílias sem terras no Brasil.
A Constituição Federal, assinada em 05 de outubro de 1988, determina que as propriedades rurais que estão improdutivas sejam redistribuídas a pessoas necessitadas apara se tornarem produtivas.
Felizmente, tantas pessoas se mobilizam para oferecer melhor condições para o povo e tantas, também, lutam por terras, que temos a esperança de que um dia essa situação de injustiça acabe. O MST é um exemplo: hoje com sua força social bem organizada, é um dos grupos que mais lutam para que todos tenham terras no Brasil.
Muita gente, porém, considera as reivindicações do MST exageradas e injustas. Em parte, isso se deve à forma como a mídia, isto é, os meios de comunicação, apresenta o problema para o público. Não se trata, como muitos pensam, de tirar o sítio, a chácara ou a fazenda de quem está plantando. Trata-se apenas de dividir os latifúndios, as propriedades gigantescas que ninguém cultiva. Cumprindo a lei estaríamos mais próximos de cumprir o mandamento “não roubarás”
QUEM É O NOSSO PRÓXIMO?
A primeira pergunta que nos vem à cabeça quando ouvimos dizer que devemos amar o próximo é esta: “Quem é meu próximo? Será meu irmão, meu vizinho, quem mora perto de mim? Será quem é meu povo, da minha religião ou só da minha cidade, do meu bairro, da minha família?”
O que as religiões em geral respondem é que qualquer pessoa do mundo é o nosso próximo! O hinduísmo e o budismo vão ainda mais longe e dizem que devemos amar mesmo os outros seres vivos e toda a natureza, além do ser humano.
No Cristianismo, Francisco de Assis também pensava assim – tanto que amava o Sol, a Lua, as estrelas, as flores e os animais de “irmãos”. Essa ideia faz parte de uma ideia maior: Se todos foram criados por Deus, então há uma irmandade entre os seres.
O amor ao próximo é diferente do amor romântico, entre homem e mulher, que se costuma ver nos filmes. É um amor de irmão, um amor de ajudar sem querer ser recompensado, de perdoar, de ter paciência, de fazer sempre o bem.
Se todos nós somos irmãos; e, se todos somos irmãos, devemos nos tratar como irmãos. Essa é a lógica do amor ao próximo: a fraternidade universal que vem da paternidade divina. Amar ao próximo é pensar na humanidade inteira como família, querendo o bem, a felicidade e a paz a todas as criaturas.
Mas, como saber se estou agindo com amor ou não? É possível medir o amor ao próximo? Existe, sim, uma medida natural, que Deus já colocou dentro de nós. É que todo mundo deseja felicidade e bem estar para si mesmo. Ninguém gosta de sofrer, de ser magoado, de ser rejeitado... Todo mundo quer afeto, compreensão, carinho...
Então, é muito simples! Sempre que ficarmos em dúvida se estamos agindo bem ou não, basta nos perguntarmos honestamente: se eu estivesse no lugar do outro, eu gostaria que agissem assim comigo?
O EXEMPLO DO BOM SAMARITANO
Um home da Lei judaica perguntou a Jesus quais eram os principais mandamentos e Jesus respondeu que eram o amor a Deus e ao próximo e o homem perguntou:
“E quem é o meu próximo?”
Jesus continuou: “Um homem descia de Jerusalém a Jericó, caiu nas mãos de bandidos que, tendo-o despojado e coberto de pancadas, foram-se embora e o abandonaram quase morto. Aconteceu que um sacerdote descia por esse caminho; ele viu o homem e passou a boa distância. Do mesmo modo um levita chegou a esse lugar, viu o homem e passou a boa distância. Mas um samaritano que estava de viagem chegou perto do homem: ele o viu e tomou-se de compaixão. Aproximou-se, atou-lhe as feridas, derramando nelas azeite e vinho, montou-o sobre a sua própria montaria, conduziu-o a uma hospedaria e cuidou dele. No dia seguinte, tirando duas moedas de prata, deu-os ao hospedeiro e disse: toma conta dele, e se gastares alguma coisa a mais, sou eu que te pagarei na minha volta”.
“Qual dos dois a teu ver, mostrou-se próximo do homem que caíra nas mãos do bandido?”
O legista respondeu: “Foi aquele que deu prova de bondade para com ele” Jesus lhe disse: “Vai e tu também faze o mesmo”.
(Lucas 10.30-37. Tradução Ecumênica da Bíblia, São Paulo: Edições Loyola/Paulinas, 1996)
Quando Jesus contou essa parábola, quis explicar quem era o próximo e o que era amar o próximo.
O samaritano não conhecia o homem que estava ferido na estrada e mesmo assim o ajudou como se ajudasse a um amigo, com carinho e preocupação.
L I Ç Ã O D E V I D A
Carlinhos era muito traquino; um menino que todo mundo queria longe. Mexia com as meninas, xingava os meninos, desrespeitava os professores. Ninguém gostava dele. A própria professora falava frases assim: “Deixem Carlinhos sozinho, até ele aprender a respeitar os outros!” ou “Menino peste! Não quero mais você!”, ou, ainda, “Hoje, você vai só para a diretoria, mas vai acabar sendo expulso da escola!” Carlinhos nem tinha mais amigos e parecia piorar a cada dia.
Certa vez, Thaís, uma colega de classe muito comportada, boa aluna e que nunca havia falado com ele, encontrou-o na rua e os dois começaram a conversar. Ela interessou-se por sua vida e soube que ele era órfão de pai, que a mãe tinha um namorado que batia nele e que ele passava muito tempo fora de casa.
A partir desse dia, Thaís mostrou-se amiga dele e foi lhe dando cada vez mais atenção. Convidou-o para ir a sua festa de aniversário, com outros colegas de classe, e ajudou-o a se recuperar nas matérias que ele ia mal. Desde então, Carlinhos começou a melhorar.
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