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domingo, 15 de março de 2015

A MISSÃO DE JESUS

Jesus cresceu ao lado de Maria e de José, ajudando seu pai na carpintaria. Quando completou 40 anos, saiu de casa e foi dedicar-se à sua missão, que durou apenas três anos. Saiu a fazer suas pregações, convidando as pessoas a segui-lo. Conquistou muitos discípulos: a maioria gente do povo, pescadores da região, entre os quais escolheu doze para serem os apóstolos do seu Evangelho. Entre eles estavam Pedro, André, Tiago Mateus e João. Algumas mulheres também o seguiam: Madalena, Marta, Miriam, Joana de Cusa. Ele andava pelos caminhos, pelos montes, à beira dos lagos, com uma túnica simples e cabelos longos. Curava os cegos, os paralíticos, os leprosos; acolhia as criancinhas, os velhos, os homens e as mulheres; contava histórias; dizia coisas que jamais alguém tinha ouvido. O povo seguia com admiração. Onde quer que fosse, multidões o acompanhavam. Certa vez, depois de horas em que uma grande multidão o estava ouvindo do alto de um monte, fez multiplicarem-se cinco pães e dois peixes: sem que ninguém pudesse explicar, surgiram cestos e mais cestos de pães e peixes, que mataram a fome do povo. As curas que Jesus realizava também impressionavam. Apenas com um olhar seu, às vezes com um só toque de suas mãos ou suas vestes, doentes libertavam-se de antigos males, cegos ganhavam a visão e paralíticos voltavam a andar. Sua sabedoria confortava as almas sofredoras e ele dizia: “Vinde a mim, todos vós que andais sobrecarregados, e eu vos aliviarei” – (Mateus 11.28). Assim confirmava o que dissera Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim: o Senhor fez de mim um messias, Ele me enviou a levar alegres mensagens aos humilhados, medicar os que têm coração confrangido, proclamar aos cativos a liberdade (...)”. (Isaías 61.1 – Tradução Ecumênica da Bíblia – São Paulo: Edições Loyola e Paulinas, 1996.) Os ensinamentos de Jesus eram diferentes das leis que os judeus e os romanos conheciam: Jesus dizia as pessoas que perdoassem umas às outras, que jamais se vingassem do mal que tivessem recebido e ajudasse o próximo sem querer nenhuma recompensa. E ele mesmo dava o exemplo de tudo isso.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A EDUCAÇÃO RELIGIOSA NA ESCOLA

O Objetivo da Educação Religiosa na escola é somar com a Educação integral, possibilitando o conhecimento e a experiência da dimensão transcendente da vida humana, em âmbito pessoal, comunitário, cultural e universal. Servir como ponto de apoio e sugestão, esclarecendo a importância da Educação Religiosa como apoio interdisciplinar, com atividades participativas, e não como centro da prática pedagógica. É uma disciplina com propostas alternativas à uma sociedade secularizada e uma redescoberta e ressignificação da transcendência, de suas manifestações, do sentimento que ela trás para a vida e da postura ética-relacional que ela propõe.

CADA UM COM SUA CRENÇA

Todo mundo acredita em alguma coisa. Certamente, você também. Aquilo em que acreditamos faz parte do que somos. Por exemplo, se acreditamos no bem, procuramos ser bons. Por isso, é tão importante, conhecer todas as crenças, saber bem qual delas é a nossa e agir de acordo com aquilo que acreditamos. Em nossas aulas, vamos estudar crenças e pessoas que viveram sua fé com sinceridade e amor. Vamos estudar também pessoas que até iniciaram novas formas de fé. Conhecendo estes seres humanos especiais e os valores que praticavam, você terá condições de pensar melhor na sua própria fé e respeitar mais a fé dos outros. A DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS Há alguns direitos e deveres do ser humano que a maioria dos povos hoje em dia considera válido para todos. São como leis ou princípios que todas as pessoas do mundo são convidadas a seguir para terem um convívio melhor. Esses princípios estão reunidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Vamos ver alguns desses direitos. Art. I - Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade. Art. II - Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição. (...) Art. XVIII – Toda pessoa tem direito a liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular. Art. XIX – Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras. (Extraído de: http://www.direitoshumanos.usp.br)

PARA QUE SERVE A RELIGIÃO?

Desde que existe no mundo o ser humano sempre teve algum tipo de religião. Deuses, espíritos, forças da natureza – em todos os tempos, a humanidade acreditou em alguma coisa. Mas, o que é uma religião? Será que é possível achar uma só forma de explicar algo tão complexo e rico? Podemos seguir algumas pistas... Por exemplo, geralmente, as pessoas procuram na religião a respostas a certas perguntas muito difíceis, mas que todo ser humano gostaria de ver respondidas: por que existe o mundo? Quem criou o Universo? Para que nascemos? Existe vida depois da morte?... E muitas outras perguntas. As religiões possibilitam que as pessoas se relacionem com forças ou seres que elas não veem, mas nos quais acreditam: deuses, espíritos ou então um só Deus – como é o caso do judaísmo, do cristianismo e do islamismo, por isso chamados religiões monoteístas. Muitas vezes as pessoas sentem medo; outras vezes, experimentam amor, adoração, emoção para com algo invisível. Sentem que, além daquilo que podem ver, ouvir e tocar, existe esse “algo”. É esse “algo” – misterioso e comovente – que faz parte das religiões. O mais importante de tudo é que as religiões nos ensinam uma forma melhor de viver. Elas nos dão princípios. Solidariedade, amor ao próximo, piedade e justiça, por exemplo, são ideais que a religião propõem. Podemos, então, dizer que as religiões em geral ensinam ao ser humano que ele é capaz de melhorar, ser mais feliz, conquistar a si mesmo e ser mais solidário com o outro! Você pode pensar: mas tantas vezes aconteceram e ainda acontecem terríveis guerras religiosas; tanta gente matou e ainda mata em nome da religião! Ou você pode, ainda, lembra-se de alguém que segue uma religião e mesmo assim é uma pessoa que pratica atos maus e desonestos. Será que isso quer dizer que as religiões são ruins? Não; de modo algum! É que às vezes as pessoas estragam as coisas mais sagradas. A responsabilidade é delas e não das religiões. Em nossas aulas, você vai conhecer personalidades que viveram de verdade uma fé, com justiça, e sabedoria e amor. Seu exemplo nos mostra que é possível ao ser humano ser bom. Algumas das pessoas de quem estudaremos fundaram religiões: é o caso dos seguidores de Jesus, Buda e Maomé. Outras apenas seguiram alguma religião, mas assumiram tão bem a sua fé que vale a pena nos inspirarmos nelas.

RAÍZES RELIGIOSAS DO BRASIL

Antes da chegada dos portugueses às terras onde hoje é o Brasil, aqui já estavam os índios que tinham suas próprias crenças e rituais. Os portugueses trouxeram a religião Católica com os missionários jesuítas, com os padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega. Pouco depois, os africanos foram trazidos da África como escravos também com todos os seus costumes e crenças, muito variados de um grupo para outro. Anos mais tarde, aportaram aqui os imigrantes alemães, japoneses, italianos, árabes, etc, e vários desses grupos trouxeram outras formas de religião e outras igrejas. Mesmo com toda a diversidade de crenças existente no Brasil, durante muito tempo quem não fosse católico era malvisto e até perseguido. Hoje, estamos aprendendo a conviver em paz e com respeito. A POESIA E OS ÍNDIOS O poeta Castro Alves, no século XIX, admirava a coragem dos jesuítas, que vinham ao Brasil com o ideal de pregar a fé cristã aos indígenas. Em um de seus poemas escreveu: O martírio, o deserto, o cardo, o espinho, A pedra, a serpe do sertão maninho, A fome, o frio e a dor, Os insetos, os rios, as lianas, Chuvas, miasmas, setas e savanas, Horror e mais horror... Nada turbava aquelas frontes calmas, Nada curava aquela grandes almas, Voltadas p’ra amplidão... No entanto, eles só tinham na jornada Por couraça – a sotaina esfarrapada... E uma cruz – por bordão. (Castro Alves. Trecho do poema “Jesuítas”, do livro Espumas Flutuantes. Cotia: Ateliê Editoria, 2005) Os jesuítas queriam ensinar aos índios sobre Jesus e não lhes faziam mal, mas havia com eles homens que guerreavam e escravizavam os indígenas – e algumas vezes os jesuítas não ofereceram a oposição que deveriam. Hoje, muita gente critica essa postura dos jesuítas, embora reconheça sua importância como primeiros educadores do Brasil. Outro poeta da mesma época de Castro Alves, Gonçalves Dias, imaginou os índios orando a um de seus deuses, Tupã, para se queixar dos brancos que chegaram e destruíram suas tribos. Tupã, ó Deus grande! Teu rosto descobre: Bastante sofremos com tua vingança! Já lágrimas tristes choraram teus filhos, Teus filhos que choram tão grande mudança. (Gonçalves Dias. Trecho do poema “Deprecação”, do livro Primeiros Contos. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.) O CANDOMBLÉ BRASILEIRO Quando os africanos foram trazidos para o Brasil, trouxeram consigo suas crenças e tradições. Mas muitas vezes, eles foram proibidos de cultuar sua fé. Um grande estudioso do Candomblé no Brasil foi o francês Roger Bastide, que percorreu o país pesquisando o assunto, nas décadas de 1940 e 1950. E ele conta de forma poética: “Ao longo de todo o litoral atlântico, desde as florestas da Amazônia até a própria fronteira do Uruguai, é possível, descobrir no Brasil, sobrevivências religiosas africanas. Mas, a Bahia, com seus candomblés em que, nas noites mornas dos trópicos, as filhas de santo dançam ao martelar surdo dos tambores, permanece a cidade santa por excelência. Os candomblés pertencem a “nações” diversas e perpetuam, portanto, tradições diferente (...). É possível distinguir essas “nações” uma das outras pela maneira de tocar o tambor (seja com a mão, seja com varetas), pela música, pelo idioma dos cantos, pelas vestes litúrgicas e, algumas vezes, pelos nomes da divindades.” (Roger Bastide. O candomblé da Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2001) A CONSTITUIÇÃO E AS RELIGIÕES Hoje em dia, a lei brasileira garante o respeito a todas as religiões e culturas. Veja o que dia a Constituição brasileira, a lei máxima que rege o nosso país, assinada em 05 de outubro de 1988: Art. 5º (...) VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias. (Extraído de: http://www.senado.gov.br) G L O S S Á R I O BORDÃO →Bastão para apoio. CARDO →Plantas de folhas espinhosas. COURAÇA →Armadura DEPRECAÇÃO →Súplica FILHAS DE SANTO →Sacerdotisas INVIOLÁVEL →Acima da justiça, protegido LIANAS →Trepadeiras semelhantes a cipó LITÚRGICAS →Utilizadas nos rituais religiosos MANINHO →Selvagem MARTÍRIO →Sofrimento MIASMAS →Podridões POR EXCELÊNCIA →No mais alto grau SAVANAS →Planícies de regiões trópicas SERPE →Serpente SOTAINA →Batina de padre

A REVELAÇÃO DE DEUS A UM POVO

Você certamente já ouviu falar em deuses, mas as pessoas não costumam exclamar “meus deuses!”, ou se despedir de alguém dizendo: “vá com os deuses”. Sempre falamos “Deus”, no singular, e o escrevemos com letra maiúscula. Esse Deus, que é um só e a quem nos referimos no dia a dia, tem uma história. Há mais de quatro mil anos atrás, todos os povos do mundo acreditavam em muitos deuses. Mas houve um povo que adotou o monoteísmo, isto é, a crença em um só Deus: o povo hebreu, também chamado “povo de Israel”. É dele que descendem os atuais judeus. A BELEZA DO SALMO 23: 1 O Senhor é meu pastor e nada me faltará. 2 Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente às águas tranquilas. 3 Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome. 4 Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, mal algum eu temeria, porque tu estás comigo, a tua vara e o teu cajado me consolam. 5 Preparas uma mesa perante mim, na presença de meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo e meu cálice transborda. 6 Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias de minha vida e habitarei na casa do Senhor por longos dias! – (Bíblia – Livro dos Salmos – Trad. João Ferreira de Almeida. Os Gideões Internacionais) G L O S S Á R I O: CAJADO → Bastão do pastor; REFRIGERA → Alivia, consola; UNGES → Aplicação de óleo abençoado; VEREDAS → Caminhos.

UM ENVIADO DE DEUS

A História do povo hebreu é contada na Bíblia. Por volta de 1600 anos aC, os hebreus estavam numa situação muito difícil: eles haviam ido para o Egito por causa da cerca que devastara a região onde viviam, mas acabaram sendo escravizados pelos Egípcios. Ao que parece, lá ficaram por pouco mais de quatrocentos anos. O Egito era uma nação poderosa, governada pelo faraó, uma espécie de rei que o povo considerava divino. No princípio, quando os hebreus chegaram ao Egito, foram bem tratados, mas, tempos depois, houve um faraó que começou a cometer injustiças e violências contra eles. Foi nessa época que o Senhor Deus dos hebreus escolheu um deles para mostrar a sua força aos poderosos egípcios. O nome do escolhido era Moisés. A história de Moisés é muito interessante. Ele nasceu de pais hebreus, mas foi criado pela filha do Faraó. Para conter o crescimento da população hebreia, o faraó havia mandado matar todos os meninos hebreus e só deixar viver as meninas. A mãe de Moisés, então, o pôs dentro de um cestinho, sobre as águas do Nilo, e deixou a irmã do menino observando de longe o que iria acontecer com ele. O que se seguiu foi que a filha do faraó encontrou o pequeno e salvou, adotando-o como filho e fazendo com que fosse criado com todo o conforto. Assim, o nome “Moisés” significa “eu o tirei das águas”. Moisés foi criado com afeto pelos egípcios, mas, depois de crescido, começou a se aborrecer por ver seus irmãos hebreus sendo maltratados: eles eram obrigados a trabalhar duro e eram chicoteados se desobedecessem. Um dia, Moisés viu um egípcio agredir um hebreu e, revoltado, o matou. Para escapar à vingança do faraó, fugiu do Egito e foi para as terras de Midiã. Lá, casou-se com Zípora, uma pastora de ovelhas e com ela teve dois filhos. Depois de anos, houve um dia em que Moisés recebeu um chamado. Foi o próprio Deus que lhe apareceu – embora Moisés tenha fechado os olhos por temor de olhar – e disse que sabia dos sofrimentos do povo judeu no Egito. Mandou Moisés voltar e libertar seus irmãos escravizados. Para isso lhe daria o poder de guiar os hebreus através do deserto até chegarem a uma terra onde haveria “leite e mel” – uma forma de dizer que essa era a terra prometida, a terra de Israel. Moisés, com a ajuda de seu irmão Aarão, fez o que lhe fora ordenado por Deus. Os dois pediram ao faraó que deixasse seu povo partir, mas ele ignorou o pedido. A partir de então, muitas desgraças começaram a acontecer ao povo egípcio: a água do Rio Nilo virou sangue; mosquitos, gafanhotos e rãs, invadiram as terras, as casas, os templos e os palácios egípcios; houve chuvas de pedra e pestes acometeram os animais. Toda vez que uma desgraça acontecia, o Faraó dizia a Moisés e a Aarão que, se pedissem a Deus que tivessem piedade, ele deixaria os hebreus partirem. Deus atendia o pedido, mas o faraó não cumpria a promessa. Só depois de muitas desgraças o faraó consentiu que partissem, mas, assim que o povo começou a ir embora, arrependeu-se e quis impedir. Então Moisés e Aarão resolveram que todos deveriam fugir. E assim fizeram. Os egípcios perseguiram os hebreus até chegarem ao mar. Mas Deus, por intermédio de Moisés, abriu o mar em dois, deixando o povo passar. Quando os egípcios iam atravessar, o mar novamente se fechou e eles não puderam alcançar os hebreus. Moisés conduziu seu povo através do deserto, sempre lhe prometendo a terra de que Deus falara. No caminho, quando pararam no deserto do Sinai, diante de uma montanha, Deus novamente se revelou a Moisés e lhe deu os dez mandamentos, as leis que passaram a dirigir o povo judeu. Muitas delas até hoje orientam nossa vida. Quando finalmente avistaram a terra prometida, onde os hebreus iriam viver, Moisés, já muito velhinho, morreu. Havia conduzido seu povo até ali, mas não conseguiu entrar nas novas terras que iam conquistar.

A RELIGIÃO DOS EGÍPCIOS

Como outros povos daquela época, os egípcios acreditavam em muitos deuses: alguns deles eram metade humanos, metade animais, outros eram inteiramente humanos. Havia estátuas para representar esses deuses; e cada um tinha uma função particular. Houve um faraó chamado Akhenaton, que, com alguns sacerdotes, resolveu adotar um deus único: o deus Sol. Mas o povo egípcio não aceitou isso e continuou com seus muitos deuses. Veja alguns deles: O deus supremo Osíris, ladeado pelo Hathor, deusa da dança e da música Filho Hórus e pela mulher Ísis Amun, um dos deuses Ptá, deus dos artesãos criadores do Universo. e da escrita. Thot, deus da Lua e da Sabedoria. Justamente por causa desse culto aos deuses, cheio de imagens tão comuns na Antiguidade mas que hoje em dia nos parecem estranhas, é que os hebreus insistiram nessas duas ideias: que Deus é único e que não deve ser cultuado em imagens. A religião judaica nunca fez estátuas ou pinturas representando Deus. Ela considera que é pelo amor demonstrado, ao cumprir os mandamentos de Deus, que prestamos homenagem a Ele. Os Israelitas continuaram em sua caminhada e acamparam no deserto do Sinai. Uma manhã, ouviu-se o som estridente de trombetas no alto da montanha, acompanhado de relâmpagos e trovões. O povo pôs-se a tremer. O Senhor descera no meio do fogo. Ele chamou Moisés para o alto e Moisés subiu. Então Deus lhe disse: Eu sou o Senhor teu Deus, que te fiz sair da terra do Egito, da casa da servidão: Não terás outros deuses diante de mim; Não farás para ti ídolos ou coisa alguma que tenha a forma de algo que se encontre no alto do céu, embaixo na terra ou nas águas debaixo da terra. (...) Não pronunciarás o nome do Senhor, teu Deus, inutilmente. Que se faça do dia de sábado um dia de descanso e preces, considerando-o sagrado (...). Moisés com as tábuas da Lei Honra teu pai e tua mãe. Não Matarás. Não dormirás com a mulher de outro homem. Não roubarás. Não dirás mentira contra teu próximo. Não desejarás nada que pertença a teu próximo. (Êxodo 20.2-17 – Tradução Ecumênica da Bíblia – São Paulo – Edições Loyola e Paulinas, 1996 – Adaptado para fins didáticos.)

A DIFÍCIL TRAJETÓRIA DO POVO JUDEU

Ao longo de sua história, muitas vezes o povo judeu enfrentou muitas dificuldades. Apesar de ter conquistado a terra prometida por Deus, ele não ficou para sempre em sua pátria, Israel. Os romanos dominaram o mundo antigo durante muitos séculos, e Israel fazia parte do Império Romano. Setenta anos depois do nascimento de Jesus, os judeus se revoltaram contra esse domínio, mas, como os romanos eram muito fortes, massacraram o povo de Israel. No ano 70, os judeus foram expulsos de Jerusalém e seu templo foi destruído pelos romanos. A partir do ano 135, eles foram expulsos de todo o país e passaram a viver dispersos pelo mundo; a isso chamamos diáspora ou dispersão. E assim, o povo judeu permaneceu durante 1800 anos: muitas vezes perseguido, ou isolados em comunidades, mas sempre acreditando em Deus e em suas promessas. Um dos mais tristes episódios da sua história ocorreu no século XX, quando os nazistas, comandados por Hitler, assumiram o poder na Alemanha. Entre 1939 e 1945, ocorreu a Segunda Guerra Mundial e, durante esse tempo, o partido nazista matou 6 milhões de judeus. Hitler e seus comandados defendiam ideias terríveis: queriam que o mundo só tivessem gente que eles consideravam de “raça pura” – loiros, aparentados com alemães. Judeus, ciganos e representantes de outras culturas tinham de ser eliminados, além de pessoas deficientes ou quaisquer outras que discordassem das ideias nazistas. Assim, os nazistas construíram os chamados campos de concentração, onde matavam essas pessoas. Entre os mortos, havia homens, mulheres, crianças, velhos e jovens. Ninguém escapava. Foi uma das passagem mais vergonhosa da história da humanidade. Depois de todo esse trauma, quando acabou a guerra, muitas pessoas passaram a defender a ideia de restituir ao povo de Israel sua antiga pátria, cuja capital na época dos romanos, era Jerusalém. Em 1948 foi estabelecida, pela Assembleia Geral da ONU – Organização das Nações Unidas, a criação do Estado de Israel, com uma nova capital: Telavive. O problema é que, enquanto os judeus ficaram fora da região por tantos séculos, lá se estabeleceram outros povos, como os palestinos, que também consideravam aquele território sua pátria. A disputa por causa disso foi imensa e não terminou ainda: os palestinos nunca se conformaram em perder suas terras; por outro lado, os israelenses ocuparam terras que não haviam sido definidas como parte de seu território. E assim, há mais de cinquenta anos, dura essa situação: palestinos luta contra israelenses, israelenses lutam contra palestinos, e esses dois povos não chegam a um entendimento.

SER AMIGO DA SABEDORIA

Na Grécia antiga, muito antes de Cristo, nasceram as ideais do que é ser sábio. E os primeiros sábios estavam interessados na ideia de Deus. Nessa aula, vamos conhecer um grande sábio da Antiguidade: Pitágoras. Ter sabedoria não é simplesmente entender muitos assuntos. É saber viver e enfrentar os problemas da existência. Os gregos achavam que os sábios devem observar a vida e saber o que é certo e o que é errado; olhar para dentro de si e desenvolver o melhor que tem, consertando o que for negativo. Desse modo o ser humano consegue ser feliz. Você gostaria de alcançar sabedoria? Já consegue perceber o que existe de mau e bom no mundo? Pratica a bondade e a compaixão com as pessoas, os animais e a natureza? Procura sentir Deus? Enfrenta com calma os problemas que aparecem em casa, na escola ou em qualquer outro lugar? Enxerga-se por dentro, vendo o que tem de melhor e de pior? Se você já consegue fazer tudo isso, está no caminho para atingir a sabedoria! PITÁGORAS SEGUNDO CÍCERO Marco Túlio Cícero (106 – 43 a.C.) foi um filósofo e orador romano que recebeu a influência dos filósofos gregos. Neste trecho de um de seus livros, ele conta como nasceu a palavra filosofia e qual a função do filósofo. Pitágoras teria tido uma conversação sábia com Leão, o tirano de Filonte. Como este último admirasse seu gênio e sua eloquência, indagando em que arte se apoiava, Pitágoras teria declinado do epiteto de “sábio” e respondido que não conhecia nenhuma arte, mas que era “filosofo”. Leão espantou-se com este termo novo e perguntou quais eram as diferenças entre os filósofos e os outros homens. Pitágoras respondeu que a vida humana era comparada a essas assembleias às quais a Grécia inteira comparecia, por ocasião dos grandes jogos: Alguns vêm aí para lutar e para obter uma coroa; outros tratam de fazer comércio; outros, enfim, não se interessam nem pelos aplausos, nem pelo ganho, mas vem para ver, simplesmente, o que se passa nos jogos. Do mesmo modo, na vida, alguns são escravos da glória, outros do dinheiro, mas outros, mais raros, observam com cuidado a natureza: São estes que chamamos de amigos da Sabedoria, de filósofos. (Cícero. Tusculanas. Citado em: Jean Francois Mattéi. Pitágoras e os Pitagóricos. São Paulo, 2000.) G L O S S Á R I O: Declinado → recusado, negado; Epiteto → título, qualificativo; Eloquência → capacidade de falar bem; Tirano → que tomou o poder a força.

UM NOVO MODO DE VIVER

Pitágoras foi o primeiro a utilizar a palavra filosofia. Mas ele também era matemático e – o que poucos sabem – fundou uma religião. É considerado um dos pensadores mais importantes da História e teve muitos alunos. Ele nasceu por volta de 532 a.C., na ilha de Samos, na Grécia antiga. Seu pai, Mnesarcos, era um rico comerciante; sobre sua mãe, Pítia, pouco se sabe. A cidade de Samos era poderosa: seu governante, Polícrates, tinha cem navios de guerra. Sob seu reinado, Samos participou de diversas guerras, principalmente contra os persas e os egípcios. Os navios eram usados para roubar os bens das cidades vizinhas. Com essas riquezas, Polícrates realizou belas obras na sua cidade. Desde de jovem, Pitágoras teve um professor muito sábio, o grego Anaximandro. Pitágoras, porém, não se considerava um sábio, mas um filósofo. Ele foi o primeiro a ensinar essa novidade, chamada filosofia. A palavra filosofia significa “amizade, ou amor, à sabedoria”. Até aquela época, quem conhecia muitas coisas, era considerado sábio ou esperto. Para Pitágoras, a verdadeira sabedoria é de Deus, e os seres humanos só podem ser amigos da sabedoria – nunca sábios de fato. O ser humano não possui a sabedoria, que é de Deus, mas deve sempre busca-la para progredir. A filosofia faz isso, indagando sobre as principais questões da existência: Quem somos? De onde viemos? O que é a vida? O Que é a morte? O que é o ser? E tantas outras. Pitágoras discordava das guerras e das ideias de Polícrates, por isso saiu da cidade e tronou-se um viajante. Em suas viagens, visitou o Egito, onde aprendeu muito sobre matemática e religião. Aprendeu também astronomia com os babilônicos – um dos povos habitantes da Mesopotâmia, região da Ásia localizada entre os rios Trigue e Eufrates -, que começaram a observar o céu quase dois mil anos antes de Cristo. Mais tarde, Pitágoras foi morar em Crotona, na Itália, onde se casou e teve dois filhos. Porém, teve de abandonar Crotona por motivos políticos: como ele e seus discípulos defendiam melhores condições de vida para o povo, os governantes que não gostavam disso, os expulsaram da cidade. Foi, então, para Metaponto, também na Itália, onde morreu aos 65 anos.

A RELIGIÃO DE PITÁGORAS

Para Pitágoras, a alma é imortal; vive mesmo depois que o corpo morre. Ele ia além, crendo na reencarnação: ideia de que as almas viveram vidas anteriores em outros corpos. Pitágoras dizia lembrar-se de suas vidas passadas. Segundo ele, apenas pelo bom comportamento o ser humano chegaria a sua perfeição moral, e após ter vivido várias vidas não precisaria mais nascer em outro corpo. Até hoje várias religiões acreditam nisso. Pitágoras e os Pitagóricos – como eram conhecido os seus discípulos -, lutavam por um mundo mais justo para todos. Ele os educava para serem pessoas de bem – e o bem não deveria ser praticado apenas em relação às pessoas, mas também aos animais. Por isso, eles eram vegetarianos. Pitágoras gostava tanto de animais que, às vezes, até conversava com eles. Muito tempo depois, um cristão faria a mesma coisa: São Francisco de Assis, que vamos estudar mais à frente. Na Grécia, no tempo de Pitágoras, praticava-se uma grande discriminação: os homens eram considerados melhores que as mulheres, e os escravos considerados piores que os animais. Mas entre os pitagóricos, não havia essa discriminação, pois todos se consideravam irmãos. As casas e as propriedades eram compartilhadas por todos, sem distinção de classes sociais. Os ricos e os pobres, os homens e as mulheres viviam como iguais. Eles acreditavam que qualquer um da comunidade poderia já ter sido rico ou pobre em uma vida passada, ou que um homem poderia ter sido mulher e uma mulher poderia ter sido homem, ou que ambos poderiam ter sido escravos; portanto, todos deviam se respeitar e se tratar como irmãos. Os ensinamentos de Pitágoras se espalharam pelo mundo. Mesmo hoje nos lembramos dele como grande filósofo e buscamos concretizar alguns de seus ideais. Mesmo que não acreditemos em tudo o que ele acreditava, podemos ver a beleza de sua vida e de seu esforço pelo bem. Podemos, assim como ele, nos tornar amigos da sabedoria.

UMA FILOSOFIA DO UNIVERSO

Na Grécia, no tempo de Pitágoras, havia muitos sábios e filósofos. Foram os gregos que inventaram coisas importantes até hoje: a filosofia, a ciência, a democracia. Foram eles também que instituíram as Olimpíadas. Dentre os sábios gregos, podemos destacar Tales de Mileto e Anaximandro. Ninguém sabe ao certo o que eles pensavam ou como foi sua vida, porque a maior parte do que escreveram se perdeu. Além disso, naquela época não se escrevia sobre as pessoas como se faz hoje. Tudo o que se queria transmitir era contado de um para o outro. Sobre Tales de Mileto sabe-se que viveu no tempo de Pitágoras e que era um homem de enorme curiosidade, que queria descobrir várias coisas, principalmente de que material era constituído o nosso planeta. A sabedoria de Tales de Mileto era famosa. Conta-se, por exemplo, que previu – com sucesso! – um eclipse por volta de 585 a.C. Mesmo assim, em sua cidade ninguém acreditava em tal sabedoria, pois achavam que se fosse realmente sábio seria rico. Tales quis então provar que era realmente sábio. Com seus conhecimentos sobre o clima, previu que haveria uma grande colheita de azeitonas. Como ainda era inverno, todos duvidaram dele, achando que o clima demoraria a ficar bom para a colheita. Com o pouco dinheiro que possuía, Tales alugou por um preço baixo, vários depósitos para armazenar azeitonas... e provou que estava certo: o tempo melhorou e houve uma enorme safra de azeitonas. Na época da colheita, os agricultores precisaram guarda-las em algum lugar e só restavam os depósitos do sábio. Ele, então, os alugou por um bom preço, ganhando bastante dinheiro. Dessa forma, mostrou a todos que se quisesse, poderia ser rico, mas, não se interessava pela riqueza e sim pela sabedoria. Tales teve um aluno importante, Anaximandro (que viria a ser o professor de Pitágoras). Ele também fez estudos sobre o planeta e foi o primeiro a elaborar um mapa das estrelas e a perceber que os planetas estão mais próximos da Terra do que as estrelas. Essas ideias, na época, eram consideradas fantásticas, pois eles não tinham telescópios nem satélites: seus únicos recursos eram os olhos e a inteligência. Pitágoras afirmava que o Universo apresentava uma ordem, uma harmonia, uma beleza e uma inteligência divinas. Todos os planetas seriam de origem divina, teriam forma esférica e estariam em constante movimento, girando suspensos no ar. Essas ideias eram contrárias a do seu mestre Anaximandro, que achava que a Terra fosse cilíndrica, mas combinam perfeitamente com o que sabemos hoje. Ele dizia também que os movimentos contínuos dos planetas produziam uma “música celeste”. De acordo com ele, os planetas precisavam girar cada um em uma velocidade diferente: as esferas que girassem mais lentamente produziriam notas musicais baixas; as esferas que girassem mais rápidos produziriam notas musicais mais altas. Quando alguém lhe indagava porque não podemos ouvir essa música celestial, Pitágoras respondia que a ouvimos desde que nascemos, mas pensamos que ela é o silêncio. Para ele, a música feita pelas pessoas deve se inspirar nessa música celeste. Ele também foi músico e seu instrumento predileto era a lira. Para Pitágoras, os números mostram a harmonia e a beleza do cosmo divino. Por isso, ele pesquisou muito a matemática. E ele estava certo, pois, com a matemática, podemos saber muitas coisas do Universo; por exemplo: o tamanho da Terra; a que distância ela está do Sol, dos demais planetas e das estrelas; quantas vezes o Sol é maior do que a Terra. Podemos também saber que existem bilhões de estrelas na imensidão do Universo.

UM DEUS ALÉM DAS ESTRELAS

Muitas pessoas, no decorrer dos tempos, ao contemplar as estrelas, o espaço ou a beleza do nosso planeta, sentiram a presença de Deus no Universo. O século XVIII, o poeta alemão Friedrich Schiller escreveu um belo poema sobre isso, chamado “Ode à Alegria”. Alguns anos depois, no começo do século XIX, Beethoven, um dos maiores compositores de todos os tempos, expressou a beleza, a harmonia, a música, a alegria do Universo numa linda composição – a “9ª Sinfonia” – usando como letra o poema de Schiller: Oder à Alegria Alegria, luz divina, que move o Universo! Nossa voz se ergue e afina Pra cantar-te em verso! A alegria acaba a descrença E nos faz darmos as mãos! Onde a alegria vença, Todos nós somos irmãos! Ser amigo de um amigo, Ter alguém para se amar! Canta júbilos comigo, Louva teu celeste lar! Muito além das lindas estrelas, Há um Deus a governar! Mesmo se não pode vê-las Há leis a se respeitar! Todos bebem a alegria Da mãe natureza! Bons e maus à luz do dia, Sentem a beleza! Sóis e flores, constelações, A alegria universal! Ela inunda os corações E dissolve todo o mal! (Friedrich Schiller. “Oder à Alegria”, poema musicado por Ludwig Van Beethoven. Versão didática de Dora Incontri.) UMA HISTÓRIA INDÍGENA Os povos indígenas brasileiros contam interessantes histórias sobre o mundo e a humanidade, nas quais demonstram grande sabedoria. Do mesmo modo que os egípcios, os babilônicos e os gregos, eles também observavam as estrelas e os demais elementos do céu. Acreditavam que a humanidade morava no céu e que depois desceu à Terra. Confira no texto “A HUMANIDADE DESCE À TERRA”, transcrito logo abaixo: Antigamente, todos os homens viviam no céu. Alguns ainda estão lá, são as estrelas. No tempo da vida celeste, um velho, numa caçada, viu um tatu e o perseguiu. O tatu enfiou-se terra adentro e o homem cavava cada vez mais fundo para apanhá-lo. Cavou o dia todo sem conseguir pegar o tatu. Voltou para casa, mas no dia seguinte recomeçou a cavar. Dizia à mulher: - Quero pegar o tatu! Cavou durante oito dias e estava quase apanhando o tatu quando o animal caiu num buraco. O velho o viu descer como um avião, cair num campo e correr em direção à floresta. Ele alargou o buraco para poder olhar para baixo, mas o vento estava tão violento que o levou de volta à superfície. O vento continuava a soprar pelo buraco, aumentando cada vez mais a abertura. Quando o velho voltou à aldeia, os outros lhe perguntaram: onde está o tatu? – Caiu numa terra debaixo da nossa, uma terra com belos campos, que não é como a nossa, é coberta de florestas. Mas o vento soprou e me trouxe de volta para cá. A história foi discutida no ngobe, a casa dos homens. Os homens mandaram um meokre, que é um menino de 13 a 14 anos, buscar o velho para que ele contasse o que lhe acontecera. Toda a assembleia resolve ir ver o buraco. O vento o alargava e dava para ver os belos campos. Tomados pelo desejo de descer, os homens juntaram todas as cordas e fios de algodão que possuíam. Fizeram uma corda única que experimentaram no outro dia, mas ainda era muito curta, só chegava à metade do caminho. Com outras pontas de fios, os homens encompridaram a corda até que ela alcançasse a terra. Um kuben-kra (que quer dizer, o filho de um homem) quis ser o primeiro a descer. Amarraram-no bem e o fizeram escorregar. O vento o empurrava de um lado para o outro. Enfim, ele chegou aos campos, achou-os belíssimos e subiu de volta. No céu, ele disse: - Os campos lá embaixo são lindíssimos, vamos viver lá! Fizeram-no descer mais uma vez e ele amarrou a extremidade inferior da corda numa árvore. Então, homens, mulheres e crianças escorregaram ao longo da corda. Pareciam formigas descendo por um tronco. Muitos não tiveram coragem de descer, preferindo ficar no céu. E cortaram a corda para impedir mais uma descida. (Betty Mindlin. O Primeiro Homem e Outros Mitos dos Índios Brasileiros. São Paulo: Cosac & Naify, 2001) DE OLHO NO MUNDO: REENCARNAÇÃO, ONTEM E HOJE Pitágoras não foi o único a crer na reencarnação. Essa ideia foi aceita por muita gente, em várias regiões do mundo. Inúmeras eram as pessoas, tanto no Oriente como no Ocidente, que acreditavam nela como uma verdade religiosa. Na Antiguidade, a religião dos egípcios, dos ceutas, dos gregos e dos maias admitia a reencarnação. Todas as crenças reencarnacionistas admite que o ser humano é livre para fazer suas escolhas nesta vida, mas depois deverá enfrentar as consequências de seus atos em outra existência. Os atos bons produzirão boas colheitas; os atos maus poderão acarretar sofrimento no futuro. Ainda de acordo com essa ideia, o ser humano é sempre dono do seu destino e sempre terá novas oportunidades de fazer melhor o que faz de errado, aprendendo com os próprios erros. Hoje em dia, as principais religiões reencarnacionistas são o hinduísmo, o budismo e o espiritismo. Estas duas últimas, se consideram filosóficas, à maneira de Pitágoras. Entre as religiões que creem na reencarnação, algumas consideram que a alma do ser humano pode reencarnar em um animal; outras, que a alma volta somente como homem ou mulher. No Brasil, a principal corrente reencarnacionista é a espírita. Segundo essa visão, a alma humana jamais volta num corpo de animal. “Os céus narram a glória de Deus, o firmamento proclama a obra de suas mãos. O dia transmite a mensagem ao dia, e a noite a faz conhecer à noite. Não é um discurso, não há palavras, não se lhes ouve a voz. Sua harmonia se estende sobre toda a Terra, e sua linguagem, até as extremidades do mundo.” (Salmo 19, de Davi – Bíblia Sagrada)

UM CAMINHO DE VIDA

UM SÁBIO DO POVO De tempos em tempos, surgem no mundo pessoas que criam belas e importantes religiões ou que vivem de modo tão especial sua religião que se tornam exemplos de amor e conhecimento. Elas nos ajudam a saber que todos nós podemos atingir a sabedoria e a verdade. Já conhecemos Pitágoras. Na mesma época – século VI a.C. -, viveram importantes sábios e personalidades da religião: os profetas Ezequiel e Daniel, em Israel; Sólon, também na Grécia, como Pitágoras; Buda, na Índia; Confúcio e Lao-Tsé, na China. No momento, vamos conhecer a história de Confúcio, considerado um dos maiores sábios que já existiram. Alguns dizem que ele é o pai de uma religião chamada confucionismo. Outros acham que se trata de uma filosofia. Mas, assim como Pitágoras, Confúcio entendia que as leis da natureza e do mundo são divinas. Era filósofo, mas tinha profunda religiosidade, pois achava que havia recebido uma “missão do céu” para ensinar as pessoas. OS ENSINAMENTOS DE CONFÚCIO O principal livro que conta várias passagens da vida de Confúcio e muitos de seus ensinamentos foram escrito por seus discípulos. É o Lun Yú, ou Analectos. Desse livro foi extraído o seguinte ensinamento: O poder pode ser alcançado pelo conhecimento mas não pode ser mantido pela bondade certamente acabará se perdendo. O poder que é alcançado pelo conhecimento e mantido pela bondade não será respeitado pelo povo se não for exercido com dignidade. (Confúcio. Anacletos, 15.33. São Paulo: Martins Fontes, 2000) Em outro de seus ensinamentos, Confúcio imaginava um mundo diferente deste em que vivemos, onde tudo fosse organizado com harmonia e as pessoas fossem respeitadas e felizes. Seus discípulos anotaram suas ideias. Quando a ordem perfeita prevalece, o mundo é como um lar do qual todos participam. Homens virtuosos e capazes são eleitos para cargos públicos e homens dignos ocupam empregos rendosos na sociedade. Paz e confiança entre todos os homens são os princípios básicos e indiscutíveis da vida. Todos os homens amam e respeitam seus próprios filhos, bem como os pais e os filhos dos outros. Há cuidado com os idosos, emprego para os adultos, alimento e educação para as crianças. Há meios de sustento para as viúvas e para os viúvos, para todos os que se encontram sós no mundo e para os incapacitados. Cada home e cada mulher terá um papel apropriado para interpretar na família e na sociedade. Um sentido de participação substitui os efeitos do egoísmo e do materialismo. Uma devoção aos deveres públicos não deixa lugar para a preguiça. Intrigas e conivência com lucros ilícitos são desconhecidas. Vilões como ladrões e assaltantes não existem. A porta de cada casa não necessita ser fechada e trancada durante o dia e a noite. Essas são as características de um mundo ideal, o Estado como bem público. (Confúcio. “A essência da mensagem do Estado como um bem público”, The Record o frites, Book IX. http://www.confucius.org) G L O S S Á R I O: CONIVÊNCIA → cumplicidade, colaboração; Ilícitos → ilegais; INTRIGAS → fofocas, traições.

A SABEDORIA QUE VEM DO CÉU

A China possui uma das culturas mais antigas da humanidade, mas o Ocidente demorou muito a conhecer esse país: apenas por volta do ano 1200 os europeus lá chegaram, com o italiano Marco Polo. Por essa época, os chineses já haviam desenvolvido muitos inventos interessantes, como a bússola, o papel e a pólvora. A arte chinesa também era riquíssima, e quando Marco Polo e sua família chegaram à China ficaram encantados com a beleza das sedas, a riqueza das pinturas e a arquitetura tão diferente da que existia na Europa. Confúcio nasceu na China no ano de 551 aC, numa antiga cidade chama Lu. Seu pai, um famoso guerreiro, morreu quando ele tinha apenas três anos, e sua mãe o criou na pobreza. Assim, Confúcio trabalhou desde cedo para ajudar a família e vivia no meio dos camponeses. Entre os chineses – como em outros lugares do mundo e até hoje -, quem vivia do cultivo da terra era desvalorizado pelos governantes. Os camponeses trabalhavam e pagavam altos impostos aos senhores, que enriqueciam cada vez mais. Confúcio era muito inteligente e frequentou a escola desde os 7 anos de idade. Quando jovem, recebeu ajuda da família Ki, importante em sua cidade, e conseguiu um emprego como guarda de depósito. Depois, foi pastor de ovelhas, e, mais tarde, dedicou-se ao ofício de professor. Assim como Pitágoras, teve muitos alunos: conta-se que foram mais de 3 mil. Ele sempre procurava ajudar as pessoas com problemas e preocupava-se com as condições de vida delas: acreditava que todos deveriam encontrar bem-estar, viver com justiça e receber educação. Mesmo depois que se tornou famoso, continuou a conviver com as pessoas do povo. Confúcio pedia cooperação e fraternidade entre todos os seres humanos, mas, na visão dele, só há uma forma de construirmos um mundo melhor: seguindo a sabedoria que recebemos do Céu. As leis feitas pelo ser humano pouco valem diante das leis divinas. E mais: nascemos com as leis divinas dentro de nós e somente quando as tivermos desenvolvido é que alcançaremos a paz interior e a felicidade. Certa vez, Kung de Lú – como Confúcio também era conhecido -, ao visitar um governante que lhe pediu orientação sobre qual seria a lei do Céu, respondeu-lhe com estas belas palavras: O perfeito é a lei do Céu, e a perfeição, a lei da humanidade. Para Confúcio, as pessoas buscam a felicidade em lugares errados – nas riquezas materiais e nos prazeres do mundo -, mas a encontrariam apenas nas coisas espirituais. Quando agimos de acordo com as leis espirituais, seguimos o que ele chamava de “Caminho do Tao”, que tem, entre outros significados, o de “bom caminho”. Enquanto muitos acreditavam (como até hoje acreditam) que os seres humanos seriam naturalmente maus, Confúcio discordava. Considerava a todos como naturalmente bons e afirmava que essa bondade não poderia se perder durante a vida; deveria ser desenvolvida desde a infância pela família, pela escola e pelo Estado. Essa ideia de essência boa quer dizer que, embora o ser humano possa ser malvado e fazer coisas muito ruins, no fundo sempre existe algo de bom dentro de sua alma. Mesmo o pior criminoso tem um lado bom – essa seria a essência boa, que pode ser a qualquer momento despertada.

O CAMINHO DO CÉU

Confúcio trabalhou intensamente a vida toda para que os governantes realizasse a educação do povo. Segundo ele, o soberano deveria ser um exemplo de sabedoria e bondade, pois, se desse maus exemplos, levaria o povo à desgraça. Se os governantes seguissem as leis do Céu, promoveriam a educação das luzes divinas em todo o povo. O povo nunca deveria ser castigado, pois o castigo não melhora ninguém – muito menos uma criança, que deve ser amada. A iluminação, isto é, a perfeição de um povo não depende, pois, de castigos, mas de uma boa educação. Os pensamentos de Confúcio ainda hoje permanecem atuais. Quando tantas pessoas vivem sem esperança e a violência parece ser uma realidade sem solução, seu exemplo surge com força para continuarmos lutando por um mundo em que os valores espirituais de igualdade, fraternidade e cooperação façam parte das relações humanas. Lau-Tsé foi um sábio chinês cujo nome significa “velho mestre”. Alguns acham que ele fundou uma importante religião chamada taoismo; outros, que apenas continuou uma tradição que já existia na China. O texto mais importante dessa religião é o Tao Te Ching (Escritos sobre o Tao e suas virtudes, em português). O Taoismo, de Lau-Tsé, e o confucionismo de Confúcio, representam as mais importantes religiões da China. Os pensamentos de Lao-Tsé contidos no Tao Te Ching, são lidos até hoje no mundo inteiro. Alguns historiadores afirmam que Lao-Tsé e Confúcio teriam vivido em épocas diferentes e que Lao-Tsé seria posterior a Confúcio. Outros afirmam que eles eram contemporâneos e que, certa vez, se encontraram, quando Confúcio estava em visita à capital dos reis Chou. Lao-Tsé e Confúcio teriam conversado sobre o orgulho e a cobiça. Eles concordavam que os seres humanos deveriam renunciar às ambições, pois uma pessoa cheia de virtude deve mostrar-se simples. Segundo se conta, Lao-Tsé abandonou a corte. Ao chegar à fronteira, o guarda pediu-lhe que antes de ir embora escrevesse seus ensinamentos. Resolveu, então, escrever o Tao Te Ching, que contém mais de 5 mil palavras, e depois disso desapareceu. Muitos dos seus ensinamentos eram diferentes dos de Confúcio. Os taoistas criticam o confucionismo por ser cheio de regras e defendem o Tao por ser um caminho mais livre, mas natural. Diz um taoista de hoje: Como o Céu, o Tao é repleto de espaço, é tolerante, abrange todas as coisas, e dentro dele estão as regras e os princípios fundamentais da vida. Poucas regras e princípios. (...) E na nossa vida também deve ser assim. Devemos ter dentro de nós um imenso espaço para nos realizar, para viver, tendo alguns princípios fundamentais como referências. (Wu Jyh Cherng. Iniciação ao taoismo. Rio de Janeiro: Mauad, 2000.) SER UM SER HUMANO Rudyard Kipling foi um famoso escritor que nasceu em 1865, em Mumbai, na Índia, e estudou em Londres, na Inglaterra. Aos 17 anos, voltou à Índia. Escreveu obras belíssimas que tiveram grande popularidade no mundo inteiro. Vamos conhecer um de seus poemas mais famosos e belos, chamado “Se”. Ele combina perfeitamente com as virtudes pregadas e vividas por Confúcio. SE Se és capaz de manter a tua calma quando Todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa; De crer em ti quando estão todos duvidando, E para esses no entanto achar uma desculpa; Se és capaz de esperares sem te desesperares, Ou, enganado, não mentir ao mentiroso, Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, E não parecer bom demais, nem pretencioso; Se és capaz de pensar – sem que a isso só te atires; De sonhar – sem fazer dos sonhos teus senhores; Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires Tratar da mesma forma esses dois impostores; Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas Em armadilhas as verdades que dissestes, E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas, E refazê-las com o bem pouco de que te reste; Se és capaz de arriscar numa única parada Tudo o quanto ganhaste em toda a tua vida, E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada, Resignado, tornar ao ponto de partida; De forçar coração, nervos, músculos, tudo A dar seja o que for, que neles ainda existe, E a persistir assim quando, exaustos, contudo Resta a vontade em ti que ainda ordena: “persiste!” Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes, E, entre reis, não perder a naturalidade, E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, Se a todos pode ser de alguma utilidade, E se és capaz de dar, segundo por segundo, Ao minuto fatal todo o valor e brilho, Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo E o que é mais – tu serás um homem, ó meu filho! (Rudyard Kipling. Obras-primas da poesia universal. Trad. Guilherme de Almeida. São Paulo: Editora São Paulo, 1957.)

RELIGIÃO E EDUCAÇÃO

De uma forma ou de outra, a educação sempre foi uma prática entre os povos de todas as épocas. Os chamados povos primitivos, por exemplo, não construíam escolas: suas crianças eram educadas por pessoas mais velhas da comunidade. Já na Grécia e em Roma, a família e o Estado educavam as crianças. Na Idade Média, foi a igreja que assumiu a responsabilidade pela educação. Ao longo da história, muitas pessoas – como Confúcio, por exemplo – lutaram para que toda a humanidade tivesse direito à educação. Entretanto, somente em 1948, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tivemos reconhecido o direito de todo ser humano à educação. Nem a Declaração da Independência Americana, de 1776, nem a Declaração dos Direitos do Homem da Revolução Francesa, de 1789, continham entre seus princípios alguma referência à educação como direito do ser humano. Vejamos o que diz a esse respeito, no vigésimo sexto artigo, a Declaração Universal dos Direitos Humanos: § 1º Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito. § 2º A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e palas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. § 3º Os pais tem prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos. (Extraído de: http://www.direitoshumanos.usp.br) Outra importante conquista para a educação foi a criação, em 1946, da UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), com sede localizada em Paris, na França. A UNESCO tem a proposta de ajudar organizações não-governamentais (ONGs) na realização de programas educativos. Ela desenvolve atividades de apoio a escolas e à criação de bibliotecas, de luta contra o analfabetismo e de promoção da educação de adultos, além de muitos outros programas a favor da educação. ALFABETIZAÇÃO E RELIGIÃO As informações divulgadas no Censo Demográfico 2000 pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – apontam que, das dez cidades com maior índice de analfabetismo no Brasil, oito estão localizadas no estado do Rio Grande do Sul e duas no estado de Santa Catarina. O município com menor número de analfabetos é São João do Oeste, em Santa Catarina, onde 99,2% da população sabe ler e escrever. São dados importantes, já que ainda não realizamos a educação de toda a nossa população – o Brasil está entre os dez países com maior população de adultos analfabetos. As cidades mais alfabetizadas do Brasil foram colonizadas por alemães. Em entrevista ao Jornal Zero Hora de Porto Alegre, Fernando Becker, mestre em educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), diz que os colonizadores alemães não aceitavam que as pessoas não soubessem ler, escrever e fazer contas. Então, construíam escolas para seus filhos. Voltaire Schilling, historiador, também ouvido pelo Zero Horas, diz que a religião foi fundamental nesse processo de alfabetização. Os colonizadores alemães eram da Igreja luterana (Protestante). Nessa religião, todos precisam estar alfabetizados para ler os textos bíblicos. Por outro lado, a maior parte da colonização no Brasil foi realizada por portugueses católicos. Como a Bíblia era escrita em latim, somente as pessoas cultas podiam lê-la., e não o povo. Então, apenas um pequeno grupo precisava saber ler. Os especialistas parecem ter razão, uma vez que Martinho Lutero – líder da Reforma Protestante e fundador da Igreja Luterana na Alemanha -, em um sermão pronunciado em 1530, já dizia: “enviem as crianças às escolas”. A religião luterana chegou ao Brasil bem mais tarde, por volta de 1820, com os imigrantes alemães que para cá vieram. Lutero defendeu a necessidade de educação para todos. Segundo ele, a escola deveria ser mantida pelo Estado. E a frequência das crianças deveria ser obrigatória, a fim de aprenderem uma profissão, a ler e escrever: (...) é grande e solene o dever que nos é imposto, um dever de imensa importância para Cristo e para o mundo, prestar auxílio e conselho à juventude. (Informações extraídas do artigo: “Religião ajudou a baixar índice de analfabetismo”. http://www.adital.org.br)

DE PRÍNCIPE A MENDIGO

Um príncipe que se fez mendigo e percorreu as estradas, pregando a com paixão. Essa é a origem de uma das religiões que mais tem adeptos no mundo: o budismo. Assim como o confucionismo, de Confúcio; e o taoísmo de Lao-sé, o budismo teve um fundador: Buda. Quando Buda nasceu, a Índia já era uma civilização milenar e a religião que os indianos praticavam era o hinduísmo, até hoje a principal religião daquele país é uma das mais antigas do mundo: seus livros sagrados, Os Vedas, datam de cinco mil anos. Para os budistas, os ensinamentos de Buda pode nos libertar da dor. Ao seguirem seu exemplo, porém, os budistas não consideram Buda um salvador ou um deus. Por isso, alguns até acham que o budismo é mais uma filosofia de vida do que uma religião. Para eles, cada ser humano deve percorrer pessoalmente o caminho indicado por Buda e esse caminho é possível para todos e não depende de nenhuma ajuda divina. Prepare-se para conhecer uma das maiores figuras da humanidade. Segundo a maior parte dos historiadores, os oitenta anos da vida de Buda se passaram ao longo do século V aC. O príncipe Siddartha Guatama, mais tarde chamado Buda, nasceu numa família rica. Seu pai, o rei Suddhodana, tinha grande prestígio. O menino cresceu cercado de proteção e de mimos. Casou-se e teve um único filho. Um dia, ao atravessar a cidade, Gautama ficou abalado com a miséria em que viviam as pessoas e com as doenças que as acometiam. Ponderou, então, que nem toda a sua riqueza o livraria da velhice, da doença e da morte. Por isso, decidiu ajudar as pessoas a refletir sobre essas questões e abandonou o conforto e a família para viver de forma simples, sem apego materiais e livre dos sofrimentos. Gautama comunicou ao pai sua decisão, mas o rei não concordou e ordenou aos guardas que cercassem o palácio. Porém, isso não o deteve: numa noite, pegou seu cavalo, enganou os guardas e fugiu. Foi viver no meio da floresta. Lá, encontrou monges brâmanes (da religião hindu) e, sob a orientação deles, tentou chegar à libertação dos sofrimentos. Mas, depois, deixou-os para tentar sozinho a iluminação e tornar-se um Buda, que significa “iluminado”. Certa vez, Gautama dormiu e sonhou que se tornaria naquele mesmo dia um Buda. Ao anoitecer, sentou-se embaixo da mesma árvore onde todos os outros que atingiram a iluminação se haviam sentado. Imóvel, meditou até atingir, sozinho, esse estado de iluminação: um despertar, uma consciência plena da verdade. Gautama havia, finalmente, se tornado um Buda.

A MENSAGEM DE BUDA

Buda tornou-se um monge mendicante, seguido por cinco discípulos. Com uma tigela de esmolas, foi mendigar nas aldeias vizinhas. Ensinava aos discípulos que o melhor a fazer era seguir o “caminho do meio”: não é preciso ser radical e chegar a extremos para obter a iluminação. Nosso objetivo deve ser o domínio das paixões e dos desejos mundanos. Devemos renunciar, sim, a uma vida de prazeres como a de um príncipe, mas não precisamos ter uma vida cheia de privações e autopunições. Por meio de um caminho de equilíbrio e virtudes espirituais, alcançaremos o fim de todo o sofrimento humano. Em torno de Buda reuniram-se muitos discípulos, de todas as classes sociais, pois ele não concordava com a divisão da sociedade em castas, característica da Índia. Desse modo, ele formou a grande comunidade dos mendicantes budistas. Assim como Pitágoras, Buda tinha lembranças de vidas passadas. Dizia que em vidas anteriores havia conquistado as qualidades para se tornar um Buda. Numa dessas vidas, tinha sido o príncipe Vessantra (também conhecido como Sudana) famoso pela sua misericórdia e compaixão. Vessantra gostava de ajudar as pessoas e atendia a todos os pedidos que lhe faziam. Sua compaixão era tão grande que acabou dando tudo o que tinha e ficando pobre. Buda precisou de várias vidas para chegar à iluminação. Então, os budistas entendem que são necessárias inúmeras encarnações para atingir as virtudes da iluminação. Por isso, Buda compreendia os erros e as dificuldades de seus discípulos, pois achavam que eles estavam no caminho da aprendizagem. Dizia que, dependendo dos pensamentos, das ações e palavras em uma vida, teremos bem-estar ou desgraças, boas ou más reencarnações futuras. Essa ideia de que nossas ações boas ou más têm consequências em outras vidas chama-se carma. A religião hindu já falava disso. Em companhia de seus discípulos, Buda viajou por muitas cidades, pregando sobre o carma, a reencarnação, a imortalidade da alma, a libertação da dor, o caminho do meio, a bondade, a compaixão, a luta contra o egoísmo. Com esses ensinamentos, Buda conseguiu que seu pai, afinal, se tornasse também seu discípulo. Buda aconselhou o pai a ter uma boa conduta e um coração generoso. O dever de um pai de família, assim como o dos monges mendicantes, era responder ao ódio com amor, pois amando a todos os seres do Universo é que atingimos a felicidade. Ele possuía apenas suas vestes, sua tigela de esmolas, seu bastão. Comparava o religioso ao operário: uma pessoa de fé não deveria descansar antes de cumprir sua tarefa, a iluminação divina. O príncipe mendigo nunca descansou; mesmo velho, andando apoiado em muletas, percorria a Índia ensinando sua doutrina. Suas últimas palavras aos monges foram: “esforçai-vos sem cessar”. Morreu aos 80 anos. Os budistas acreditam que ele atingiu o nirvana: o estado em que o ser consegue a libertação do desejo e da dor. A obra de Buda difundiu-se em muitas regiões da Ásia, e, por ter se espalhado por vários países do mundo, existem diferentes tradições budistas. Na Índia, seu país de origem, o budismo quase desapareceu – apenas recentemente as ideias de Buda começaram a ser recuperadas.